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FÁTIMA DO SUL: MINHA CIDADE, MINHA VIDA, por Wagner Cordeiro

Nasci em Fátima do Sul há 40 anos, no hospital da SIAS. Naquela época não havia o SUS

08/07/2024 às 09h48 Atualizada em 08/07/2024 às 09h53
Por: Redação Fonte: Wagner Cordeiro Chagas 
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FÁTIMA DO SUL: MINHA CIDADE, MINHA VIDA, por Wagner Cordeiro

Nasci em Fátima do Sul há 40 anos, no hospital da SIAS. Naquela época não havia o SUS (uma conquista que só veio com a Constituição de 1988) e meu pai teve que pagar a conta do parto. Sou filho da Marluce, nordestina de Pernambuco e criada aqui, e do José Nunes, mato-grossense/sul-mato-grossense e que mora na cidade Favo de Mel desde a década de 1970. Trabalham juntos há mais de 40 anos no ramo de bar e lanchonete. Cresci no “pé do balcão” das bares “Toca do Mé”, localizado próximo ao cemitério, “Havaí Lanches” e “O Lanchão”, o primeiro em frente à praça Getúlio Vargas e o último no interior dela. Ao longo desses anos lembro-me de muitos momentos particulares e coletivos da nossa cidade que chega aos 61 anos de emancipação política e 70 de fundação.

Uma das coisas que marcam uma pessoa é a rotina vivida em família. Recordo-me da nossa morada juntamente com bar no bairro Jardim Cavalcante, próximo à poli esportiva, o bar Toca do Mé, que até hoje é muito lembrado pelos amigos clientes. Quando minha mãe e eu voltávamos à noite do centro da cidade o medo dela era passar em frente ao cemitério Nossa Senhora de Fátima por aquelas ruas escuras e sem asfalto no início da década de 1990. Meu pai tinha um Fusca 69 vermelho e guardo recordações dele saindo para trabalhar na lanchonete que também tocava na praça.

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Anos mais tarde passamos a morar aos fundos da Sapataria Fernandes, a sapataria da dona Rosa, como chamávamos, com lanchonete localiza aos fundos das Casas Pernambucanas (hoje Pelé Variedades). Lá brinquei com crianças vizinhas. Já tinha meu irmão do meio, o Wando, e lá descobrimos que nossa mãe aguardava o Vinicius, o caçula. Era daquela casa que eu me deslocava até a Pluminhas Coloridas, a pré-escola que se localizava no fundo da Câmara de Vereadores, levado as vezes pela mãe, as vezes por tios, e por funcionários de meu pai. “Tia” Sônia Leonel era uma das minhas professoras. Ainda naquela residência, lembro-me de muitas vezes acordar e ir sozinho ao supermercado Catarinense comprar pacote de salgadinhos (biscoito como falamos por aqui), chegar, deitar no sofá e ligar a televisão na Rede Manchete para assistir os seriados japoneses que marcaram a infância de muita gente: Jiraya, Giban, Jaspion, Changeman, Flashman e Cybercops.

Por volta de 1993 passamos a morar na rua Severino Araújo, ao lado da Escola Estadual Batista, depois denominada Cacildo Ferreira, hoje Instituto Educacional Reino do Saber. A coisa que mais me impressionava por ali era a caixa d’água da SANESUL e os treinamentos que o Corpo de Bombeiros fazia nela. Estudei o ensino básico desde 1991 nas escolas estaduais Batista, Vicente Pallotti, Izabel Mesquita e Vila Brasil.

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Como ajudante de meus pais, fui várias vezes ao banco Bamerindus (atual sede dos Correios) onde paguei diversos boletos da Brahma e Coca-Cola. No ano de 1994 4 acontecimentos nacionais marcaram minha memória: a primeira foi a morte do piloto Ayrton Senna. Recordo-me de que em uma aula na escola Vicente Pallotti fizemos desenhos relacionados aquele grande ídolo nacional. A conquista do tetra campeonato mundial pela Seleção brasileira de futebol; a segunda o nascimento do Plano Real são outras marcas daquele ano que não me saem da memória.

Nas imediações da Praça Getúlio Vargas tenho muitos amigos que até hoje por ali trabalham. O tempo passou, trabalhei no final dos anos 1990 como vendedor de salgados e depois, por influência de um amigo (hoje um grande construtor civil), como vendedor de picolés nas sorveterias Xereta, do Carrapicho, Sol de Verão, do Tonho, e Darcy, do Tião. Ao ingressar na universidade em Dourados, em 2005, consegui emprego como vendedor da bilhetes de passagem das empresas NPQ Transportes e Andorinha, como terceirizado de um português que adorava jogo de damas. Recebia 200 reais por mês, valor que, por 2 anos, ajudou-me no custeio do ônibus, material e lanche. A partir de 2007 fui contemplado com a bolsa permanência da UFGD o que me permitiu maior dedicação ao curso de História e iniciar minha vida de pesquisador a respeito da História Política de Mato Grosso do Sul, por meio de especialização e mestrado.

Aproveitei ao máximo as oportunidades que Deus me concedeu e hoje sou muito grato por ter o privilégio de continuar a residir em nossa querida Fátima do Sul. Aqui construí minha família e, junto com minha esposa, amiga de curso universitário, exercemos a honrosa profissão de professor contribuindo para o futuro deste município e do Brasil. Tivemos a oportunidade de representar o município “Favo de Mel” durante nossas viagens pelas outras 78 cidades de Mato Grosso do Sul durante o projeto de doação de livro sobre a história deste estado. Procuro lutar pelos meus ideais de sonhador, seja na sala de aula, na militância sindical ou na vida em sociedade, pensando no futuro de nossas filhas e sempre defendendo a justiça social e uma vida mais digna às pessoas excluídas desta Brasil tão lindo, mas ainda tão injusto.  
  

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